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Gerações de jovens e veteranos com deficiência debatem demandas do movimento social no I Encontro de Gerações

23/11/2017

Promovido pela Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, evento reunirá ao todo cerca de 200 lideranças das pessoas com deficiência de todo o País na produção da “Carta de Socorro”, com contribuição à pauta do movimento pelos direitos da pessoa com deficiência

 

Acontece nesta quinta-feira (23), em Socorro, São Paulo, a última das reuniões do I Encontro de Gerações de Pessoas com Deficiência. O evento é promovido pela Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, do Ministério dos Direitos Humanos, em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, com apoio do Memorial da Inclusão e do hotel Parque dos Sonhos. A proposta é de interlocução entre diferentes gerações de lideranças do movimento social das pessoas com deficiência de todo o país -  os ativistas veteranos atuantes desde a década de 1980 e jovens lideranças que vêm se destacando nos últimos anos na defesa de direitos. Estão reunidos cerca de 50 jovens e veteranos das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil, com todos os tipos de deficiência.

O objetivo do Encontro de Gerações é compartilhar conhecimento e fortalecer vínculos, de modo a propiciar transferência de poder entre líderes legítimos e iminentes do segmento. Os debates são pautados na defesa de direitos das pessoas com deficiência e alinhados aos princípios da Agenda 2030 do Plano de Ação das Américas, das Nações Unidas. As três reuniões possibilitaram o convívio e os debates entre cerca de 200 lideranças das pessoas com deficiência de todo o país. Os convites foram feitos segundo os critérios de representatividade social e política no processo histórico de conquistas do movimento de luta das pessoas com deficiência, respeitando a diversidade de gênero e tipo de deficiência por estado brasileiro – quesitos primordiais para o sucesso do trabalho.

Ao final das reuniões, a expectativa é de que as demandas e reivindicações apresentadas pelos líderes sejam convertidas na produção coletiva de um documento, batizado de “Carta de Socorro”, com encaminhamentos que contribuam com a pauta do movimento ativista pelos direitos da pessoa com deficiência no Brasil. Contribuindo para que o evento seja um catalizador do processo de defesa de direitos, o hotel Parque dos Sonhos, em Socorro, no interior de São Paulo (onde acontecem as reuniões do Encontro), é totalmente adaptado para prática de esportes, aventuras e exercícios de atividades de empoderamento e autonomia das pessoas com deficiência.

Primeiras reuniões de sucesso

As duas primeiras reuniões do Encontro de Gerações, realizadas entre os dias 15 a 18 de outubro e 08 a 11 de novembro, respectivamente, reuniram cerca de 150 jovens e veteranos com deficiência das regiões Sudeste, Sul e Nordeste do país. Foram realizados debates sobre os depoimentos de veteranos do movimento social das pessoas com deficiência desde a década de 80, além de estudos e encaminhamentos sobre casos de violência e sugestões de medidas de contribuição ao Plano de Prevenção e Combate à Violência contra Pessoas com Deficiência. Outros temas amplamente discutidos durante o evento foram a Agenda 2030 (com objetivos para o desenvolvimento sustentável dos países, entre os quais a inclusão e participação das minorias em sociedade) e as demandas e propostas atuais do segmento para a promoção da inclusão e acessibilidade na sociedade.

Fernanda de Oliveira Fontenele Costa, jovem com deficiência física de São Paulo, ressaltou durante a primeira reunião do Encontro, em outubro, a importância da desconstrução do preconceito em relação às pessoas com deficiência: “As pessoas devem ser encaradas por suas potencialidades, independentemente de suas deficiências”. Lara Souto Santana, participante cega também de São Paulo, destacou que já evoluímos da fase de se negar ou esconder a deficiência - e a sociedade tem de acompanhar essa evolução: “A questão não é aceitar a deficiência, e sim assumi-la; eu tenho deficiência, mas quero ocupar meu lugar na sociedade, exercer minha cidadania, de mãos dadas com todos, com ou sem deficiência. Juntos somos mais fortes”.

O Secretário Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marco Pellegrini, falou aos participantes da primeira reunião do Encontro que já se foi o tempo em que as pessoas simplesmente não ouviam, não enxergavam ou não andavam. Hoje, com apoio de recursos e ajudas técnicas, as pessoas enxergam, ouvem, andam – e por determinação da Lei. E essas conquistas, ressaltou ele, são resultado do trabalho e da luta de muitos veteranos do movimento social da pessoa com deficiência – movimento que tem de continuar. “Hoje é possível ser diferente, porque aconteceram as conquistas, as vitórias das lutas. Sempre existirão diferenças. Mas a luta deve continuar, para que as políticas públicas possam chegar e beneficiar a todos”, afirmou.

Sobre o marco representado pela realização do I Encontro de Gerações, o veterano mineiro Idari Alves dos Santos, líder do movimento social desde o seu início na década de 80, declarou: “Há trinta anos tento não ser apenas militante, mas também agente transformador da sociedade. E precisamos que essa mentalidade se multiplique nas novas gerações de pessoas com deficiência. A felicidade que eu tenho é ver que a história não acaba aqui. Tem gente nova chegando, que tem que continuar lutando; caso contrário, para se perder o que já se conquistou pode ser muito rápido”.

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