Desaparecidos políticos em Foz do Iguaçu

Em julho de 1974, foi organizada uma emboscada pelo Centro de Informações do Exército (CIE) no Parque Nacional do Iguaçu. A operação foi comandada pelo Coronel Paulo Malhães e contou com os infiltrados Alberi Vieira dos Santos e Otávio Rainolfo da Silva, que acompanharam o regresso de cinco militantes da Vanguarda Popular Revolucionária e outro militante argentino que os acompanhava desde a Argentina para o Brasil. Tratava-se dos irmãos Daniel e Joel de Carvalho, José Lavecchia e Victor Ramos, além do argentino Enrique Ruggia, que, segundo testemunha e pesquisa, foram fuzilados dentro do Parque Nacional do Iguaçu, onde tiveram seus corpos desaparecidos. No mesmo dia, Onofre Pinto, dirigente da organização que não estava no Parque no momento do fuzilamento, foi capturado e levado para interrogatório na cidade de Foz do Iguaçu, onde morreu após ser torturado.

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos considerou o grupo de militantes como vítimas da ação de agentes do Estado brasileiro. A Comissão Nacional da Verdade e a Comissão da Verdade do Paraná, em 2013, ouviram o agente infiltrado Otávio Rainolfo Silva, que confirmou que seu comandante na operação teria sido Paulo Malhães, também ouvido pela Comissão Nacional da Verdade e pela Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, em 2014.

Em consonância com a decisão deferida durante 76ª Reunião Ordinária da CEMDP, ocorrida em 20 de fevereiro de 2018, será realizada uma expedição ao local do massacre com a finalidade de dar continuidade ao processo de busca e identificação dos corpos que permanecem desaparecidos. 

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