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Desaparecidos políticos: Remanescentes ósseos de Dimas Casemiro serão entregues à família

publicado: 30/08/2018 09h54, última modificação: 30/08/2018 09h54
Desaparecidos políticos: Remanescentes ósseos de Dimas Casemiro serão entregues à família

Nesta quinta-feira, 30 de agosto, Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados, o Ministério dos Direitos Humanos (MDH), junto à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) e às demais instituições que compõem o Grupo de Trabalhos Perus (GTP), realizarão a entrega formal dos remanescentes ósseos pertencentes a Dimas Casemiro para sua família. 47 anos após sua morte, Fabiano Casemiro, seu filho, que tinha apenas quatro anos quando de seu desaparecimento, poderá dar um sepultamento digno a seu pai, nesta data simbólica. O sepultamento se dará após cerimônia no cemitério de Votuporanga (SP), que terá início às 14 horas.

Dentre as 243 vítimas de desaparecimento forçado no período da ditadura militar no Brasil - segundo dados divulgados pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) -  Dimas Antônio Casemiro figurou por muitos anos como militante do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT). Nascido em Votuporanga, no interior de São Paulo, Dimas pertencia a uma família com fortes tendências políticas. No ano de 1971, quando militava clandestinamente em um país assolado por uma ditadura violenta, desapareceu na capital paulista, tendo sua morte noticiada por veículos da imprensa, porém seu corpo nunca fora entregue à família impedindo um sepultamento digno. Para o ministro de Direitos Humanos, Gustavo Rocha, “os trabalhos relacionados à justiça e reparação devem ser objetos de uma política pública permanente, que não esteja a reboque das ideologias, o que permitirá resistir à alternância de poder e aos humores dos mandatários”.

Histórico - Em 1990 veio a público a notícia de que o Cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus, na periferia de São Paulo, teria uma vala clandestina na qual possivelmente estariam enterrados muitos corpos de militantes políticos desaparecidos na época da ditadura. Por ação da então prefeita Luiza Erundina, os remanescentes ósseos, que somavam cerca de 1500 indivíduos, foram retirados do local e trasladados para a Universidade de Campinas (UNICAMP). Duas identificações foram alcançadas nesse período: Frederico Eduardo Mayr e Dênis Casemiro, irmão de Dimas. A universidade responsável pelo material, no entanto, sofreu diversas críticas pelos familiares de pessoas desaparecidas e os remanescentes ósseos foram então levados, no ano de 2000, pela Universidade de São Paulo (USP) para o Cemitério do Araçá na capital paulista e mais um desaparecido, Flávio Molina, foi identificado.

Apenas no ano de 2014 os remanescentes ósseos passaram à responsabilidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e foi executado um plano robusto de trabalho para a identificação dos mesmos. É formado, então, o Grupo de Trabalhos Perus (GTP), a partir de um convênio firmado pelo Ministério dos Direitos Humanos e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da prefeitura de São Paulo e a Unifesp.

Nesse ínterim, o GTP vem trabalhando nas ações de pesquisa preliminar e antemortem – que consiste na reconstrução das histórias individuais de cada desaparecido com possibilidade de ser encontrado entre os remanescentes da vala -, limpeza dos ossos e análise post-mortem dos esqueletos retirados do Cemitério de Perus. Atualmente, os profissionais atuantes no GTP prestam consultoria através de contratos viabilizados pelo Programa das Nações Unidas (PNUD), a partir de Projeto de Cooperação internacional entre o Programa com o Ministério dos Direitos Humanos, para desempenharem todas as atividades acima descritas.

Em setembro de 2017, foram eleitos 100 remanescentes ósseos para serem enviados para o laboratório bósnio International Comission on Missing Persons (ICMP). A primeira remessa de amostras ósseas foi cruzada com as amostras sanguíneas de familiares de pessoas desaparecidas possivelmente inumadas no Cemitério de Perus. Desse cruzamento, resultou a compatibilidade genética de uma das amostras com a família Casemiro. A informação foi levada ao GTP que analisou novamente a ossada à luz das características físicas do desaparecido político Dimas Antônio Casemiro. Esta análise, oriunda da Antropologia Forense, reforçou o resultado apresentado pelo ICMP e possibilitou a conclusão do caso. O Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados foi instituído pela Organização Nacional das Nações Unidas (ONU), a partir do ano de 2011.

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