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Jornalista Sandra Terena é a primeira indígena a ocupar Secretaria no Governo Federal

publicado: 17/01/2019 15h27, última modificação: 17/01/2019 18h22
Jornalista Sandra Terena é a primeira indígena a ocupar Secretaria no Governo Federal

Luiz Alves- Ascom MMFDH

A jornalista e cineasta de origem indígena Sandra Terena tomou posse nesta quinta-feira (17) como secretária nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH).

Indígena do povo Terena de uma aldeia fundada há 102 anos, no interior de São Paulo, na qual o avô foi um dos patriarcas, Sandra Terena – ou “Alieté”, como é chamada na aldeia – se tornou a primeira jornalista indígena do Brasil em 2003. É uma das principais vozes brasileiras na construção de políticas públicas direcionadas à defesa de direitos de comunidades tradicionais.

Natural de Curitiba-PR, onde o pai servia ao Exército, a secretária Sandra é formada em Comunicação Social pela Universidade Positivo e tem pós-graduação em Comunicação Audiovisual pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

Prêmios

Presidente da ONG Aldeia Brasil há treze anos, Sandra produziu, com recursos próprios, o documentário “Quebrando o Silêncio”, no qual denuncia a omissão do poder público quanto à prática do infanticídio dentro de aldeias indígenas da região. Exibido no Museu do Índio, em Brasília, e em centenas de aldeias indígenas brasileiras, o filme serviu como reflexão para que lideranças tradicionais passassem a orientar a comunidade e salvar vida das crianças. A iniciativa rendeu à secretária o primeiro lugar no Prêmio Internacional Jovem da Paz.

Em 2013, ela recebeu o prêmio “Sangue Bom do Jornalismo Paranaense”, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas do estado e pela Fenaj, nas categorias “Jornal Impresso” e “Telejornalismo” por reportagem que denunciou rganização criminosa que lesou mais de 6 mil famílias de pescadores, marisqueiras e catadoras de caranguejo.

Sandra Terena é autora da exposição fotográfica “Beleza Ameaçada” que retratou o “Nhandereko” – jeito de ser guarani – um ensaio fotográfico na aldeia Pindoty, na Ilha da Cotinga, litoral do Paraná. O trabalho abriu a Noite dos Museus na Europa em 2007 na cidade de Torres Vedras, em Portugal, onde foi homenageada pelo trabalho.

Ao lado do cacique Carlos Karjer, do povo kaingangue, Sandra foi uma das fundadoras da Kakané , primeira aldeia indígena urbana do sul do Brasil, localizada na capital paranaense.. A iniciativa atende a 35 famílias dos povos guarani, kaingangue e xetá, que anteriormente viviam em situação precária e agora habitam casas de alvenaria, construídas com recursos do Ministério das Cidades em um terreno doado pela prefeitura.

“Foi uma grande conquista. Passa um filme na minha cabeça quando lembro que toda essa comunidade vivia em uma ocupação irregular, insalubre, que tinha apenas um chuveiro frio para todos tomarem banho, no antigo Parque do Cambuí. Dez anos depois, vendo que toda uma comunidade mudou a sua história, percebo que valeu a pena cada minuto da nossa luta”, disse Sandra Terena.

No final de 2013, Sandra Terena deixou a redação e foi convidada para ser diretora no setor de Mobilidade Urbana da Prefeitura de Curitiba. Nesse período, foi representante da pasta nas Conferências Municipais dos Direitos Humanos nas temáticas: Igualdade Racial e da Pessoa com Deficiência. A partir de agosto de 2017 passou a integrar o quadro da Fundação Cultural de Curitiba.

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