Prevenção ao suicídio e autolesão provocada sem intenção suicida entre adolescentes e jovens

No Brasil, estima-se que 5.0 a 9.9 mortes por 100 mil habitantes em 2018 tenha como causa o suicídio.  Esse número representa uma parcela significativa da taxa de mortalidade geral.

Estima-se que, anualmente, a cada adulto que se suicida, pelo menos outros 20 possuem algum tipo de ideação ou atentam contra a própria vida.  O suicídio representa 1,4% de todas as mortes em todo o mundo, e entre os jovens de 15 a 29 anos, é a segunda principal causa de morte. (OMS, 2017).

As situações de maior risco estão relacionadas a abusos e violências interpessoais como bullying, cyberbullying, depressão, transtornos de ansiedade, Síndrome de Burnout, além de outros transtornos decorrentes ou vinculados a quadros de impulsividade. Para além do diagnóstico clínico psiquiátrico, o principal motivo que leva a decisão por interromper a própria vida decorre do esvaziamento do sentido de viver.

Por que valeria a pena viver se a dor, solidão, desesperança e tristeza são maiores do que a força que mantém a pessoa viva?

Alguns sinais de alerta


 Afastamento familiar, não sentimento de pertencimento, baixa autoestima, pouca flexibilidade para enfrentar adversidades, até isolamento social e desesperança (BOTEGA, 2015).

• Mudanças marcantes de personalidade e hábitos;

• Comportamento ansioso, agitado ou deprimido;

• Piora no desempenho escolar, no trabalho e em outras atividades que costumava manter;

• Afastamento de familiar e amigos;

• Perda de interesse em atividades de que gostava;

• Descuido da aparência;

• Perda ou ganho inusitado de peso;

• Mudança de padrão de sono;

• Comentários autodepreciativos persistentes;

• Comentários negativos em relação ao futuro, desesperança;

• Disforia marcante (combinação de tristeza, irritabilidade e acesso de raiva);

• Comentários sobre morte, sobre pessoas que morreram, e interesse por essa temática;

• Doação de pertences de valor e estima pessoal; 

• Expressão clara ou velada a respeito do desejo de morrer ou de pôr fim à própria vida.

 

Políticas de prevenção

 

O Governo do Brasil optou pela abordagem interdisciplinar em uma ação conjunta entre os Ministério da Saúde (MS) e da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH).

As políticas públicas de prevenção ao suicídio e automutilação pretendem, de modo inédito, realizar ações programáticas que alterem os índices de suicídio e autolesão entre crianças e jovens. As políticas familiares permaneceram ocultas durante décadas, obliteradas por ações destinadas a indivíduos frequentemente em desconsideração aos contextos e às matrizes de referência. Muito recentemente inaugurou-se a pauta de reinvindicação de direitos e garantias referidas ao contexto familiar que se constitui no fundamento da sociedade brasileira e, por conseguinte, no suporte à vida de crianças e jovens.

Consiste em um alerta o crescimento da mortalidade por suicídio nessa faixa etária e uma evidência de que as políticas públicas ainda precisam compreender os eixos da problemática cuja ação contribuiria para o sucesso da prevenção do suicídio e da promoção da vida. Entende-se que este é o momento de destinar as políticas públicas ao grupo familiar com o objetivo de promover o envolvimento com a temática além de favorecer o acesso a informações que permitam diagnosticar precocemente alterações nocivas do convívio familiar, a exemplo do abuso, discriminações, intolerância e a promoção do enfrentamento de dificuldades e fortalecimento dos vínculos familiares.

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, especialmente por meio da Secretaria Nacional da Família, destaca as políticas de prevenção do suicídio e da automutilação e, assim, realiza o pressuposto da Constituição Federal de 1988 no que diz respeito à valorização da família.

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