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Secretaria de Igualdade Racial promove seminário “Discussão Interétnica” durante a RAADH

publicado: 29/11/2019 19h14, última modificação: 29/11/2019 19h14

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), por meio da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SNPIR), promoveu nesta quinta-feira (28) o Seminário “Discussão Interétnica: aproximações e diferenças”. O evento fez parte da programação da 34ª Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos do Mercosul e Estados Associados (RAADH), realizada em Brasília/DF, entre os dias 26 e 28 de novembro de 2019.

O encontro de países do Mercosul debateu vários temas relacionados aos Direitos Humanos. O diferencial do seminário foi a reunião de representantes de três grupos étnicos, que falaram sobre novas propostas para a superação da desigualdade racial.

Durante o encontro, a Ministra Damares Alves enfatizou a diversidade de enfoques nesta edição da RAADH. Além disso, mencionou algumas ações do governo brasileiro em relação a diversos temas de direitos humanos. Para Damares, o Brasil está dando exemplo para os demais países do Mercosul, não deixando ninguém de fora das Políticas Públicas e visando a garantia dos Direitos Humanos Universais.

Participantes

A Secretária da SNPIR, Sandra Terena, abriu o evento destacando a necessidade de um olhar mais abrangente sobre a questão racial e as ações no enfrentamento a todo tipo de discriminação. Em seguida, apresentou os participantes: Paulo Cruz, professor de Filosofia e Sociologia e mestre em Ciência da Religião; Igor Shimura, pós-graduado em Antropologia Social e membro da diretoria da Associação Social de Apoio Integral aos Ciganos (ASAIC) e influenciadora digital Ysani Kalapalo, natural do Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, conhecida pelo seu canal no Youtube, que conta com mais de 270 mil inscritos

A moderadora do debate foi a Dra. Maíra de Paula Barreto, que possui Doutorado em Direitos Humanos pela Universidade de Salamanca, Espanha, é membro da International Law Association e da Academia Brasileira de Direito Internacional. Maíra tem experiência nas áreas de Direito Internacional e Direitos Indígenas.

Durante o Seminário, ela pontuou a necessidade de positivação dos direitos humanos para que estes não sejam vistos apenas como valores morais. Falou ainda sobre as Convenções internacionais das quais o Brasil é signatário e sobre a problemática envolvendo a banalização do discurso sobre direitos humanos, o que, segundo Maíra, implica em um
desfavorecimento no que diz respeito aos direitos mais básicos.

Negros

O debate entre os participantes girou em torno dos temas Identidade e Cultura. O professor Paulo Cruz abordou a questão da identidade do negro do Brasil, enfatizando que raça é “uma ideologia, uma construção” e, portanto, “raça não existe”. O especialista destacou que também existem muitas dificuldades quando se tenta definir qual a cultura do negro. “O racismo nasce quando se parte do pressuposto que raças existem e que se diferenciam”, pontuou. Na opinião dele, o Brasil há muito tempo deveria ter se reconhecido como multiétnico.

Ciganos

O antropólogo Igor Shimura falou a respeito da identificação dos ciganos e disse que, no Brasil, a segmentação e imagem do que é ser cigano estão ligadas a vários estereótipos negativos. Afirmou que uma pessoa cigana não pode deixar de ser cigana, mas que essa identidade é intimamente ligada à consanguinidade. Abrindo o leque do debate de “raça”, Shimura ainda falou sobre os diferentes tipos de racismo e preconceitos, incluindo conceitos históricos que “precisam ser mudados”, afirmou. Destacou como exemplo a definição de dicionários brasileiros, onde cigano é sinônimo de “trapaceiro”.

Indígenas

Ysani Kalapalo compartilhou seu histórico de vida, explicando a quebra de paradigmas que seus vídeos têm produzido no meio da população indígena mais jovem. Explicou que, por ter falado sobre alguns assuntos considerados “tabus” tem recebido críticas e até ameaças, mas que o indígena do século XXI “tem voz” e não está mais tutelado por antropólogos ou indigenistas.

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