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Ministério convida profissionais da saúde e da educação a serem parceiros da campanha Acolha a Vida

publicado: 17/04/2019 15h36, última modificação: 23/04/2019 15h16
Ministério convida profissionais da saúde e da educação a serem parceiros da campanha Acolha a Vida

Iniciativa do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), a Campanha Acolha a Vida foi lançada na última sexta-feira (12), com foco na prevenção ao suicídio e automutilação. Entre os parceiros, a ação visa contar com os profissionais da educação e da saúde.

“Precisamos de famílias unidas e toda a sociedade para o sucesso das ações. Aos trabalhadores incansáveis que atuam no campo da saúde e da educação, deixo o meu convite especial. Vocês transformam vidas e realidades, por isso o nosso apelo. Vamos acolher quem sente dor, vamos diminuir sofrimentos”, afirma a ministra Damares Alves.

A titular do MMFDH demonstra a preocupação com as taxas de suicídio divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados são referentes a todas as faixas etárias, inclusive crianças, adolescentes e jovens.

“Vocês, profissionais da educação, tem contato direto com as principais faixas etárias atingidas. Sei que já se preocupam e orientam nossas crianças e adolescentes. Vamos ficar ainda mais atentos”, ressalta.

Segundo a OMS, de 5,0 a 9,9 mortes por 100 mil habitantes no Brasil tiveram o suicídio como causa no ano passado. “Estima-se que, anualmente, a cada adulto que se suicida, pelo menos outros 20 possuem 0algum tipo de ideação ou atentam contra a própria vida. O suicídio representa 1,4% das mortes em todo o mundo. Entre os jovens de 15 a 29 anos, é a segunda principal causa de morte”, afirmou a Organização sobre os dados referentes a 2017.

Acolhimento

O psicólogo especialista em Prevenção do Suicídio e doutorando da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Aragão, ressalta que “o suicídio e a autolesão sem intenção suicida, que nós conhecemos no Brasil como automutilação são dois importantes problemas de saúde”.

“No caso da autolesão, nós vemos o método mais prevalente, que é o corte. A prevalência deste comportamento autodestrutivo está na faixa etária que vai da pré-adolescência até o adulto jovem, ou seja, dos 10 até os 25 anos, aproximadamente, onde são encontrados o maior número de casos”, explica.

Segundo o profissional, se o problema não for tratado, pode evoluir para um quadro mais grave. Ele ressalta que, “ao verificar que alguém está com esse comportamento, você precisa, imediatamente, acolher essa pessoa”.

“Nessas situações, a recomendação é não agredir, não julgar, não agir com preconceitos ou dogmas. O que essa pessoa em profunda dor precisa, naquele momento, é de alguém que se importe, que se vincule de forma sincera e pergunte como está se sentindo. Deixe a pessoa falar. O desabafo em uma hora como essa, dividir essa angústia, é essencial”, destaca.

Sinais

O psicólogo aponta, ainda, sinais que podem demonstrar riscos. “Isolamento social, a perda do prazer em atividades que a pessoa gostava, crises de choro frequentes, tristeza profunda, queda no rendimento escolar e afastamentos no trabalho sem motivos aparentes estão entre os exemplos. Completam a lista, agressividade, impulsividade e as pessoas que falam muito em morte, que tomam providências de despedida.”

O profissional afirma que também é preciso estar atento às postagens nas redes sociais. “Isso não quer dizer obrigatoriamente a pessoa está pensando em tirar sua vida, mas isto é um sinal de que alguém está em sofrimento, e nós não devemos pagar para ver”.

Automutilação

Neste contexto, o psiquiatra da Infância e da Adolescência do Hospital Universitário de Brasília (HUB), André Salles, enfatiza que fatores como depressão e ansiedade podem contribuir para a dor que motiva os sofrimentos infligidos ao próprio corpo.

Sobre a automutilação, o médico afirma que “o estado emocional tem relação com raiva, desespero, aflição, além de adotar formas menos severas de atentar contra si e com uma maior periodicidade”.

“Estima- se que um a cada cinco adolescentes já praticou a autolesão não suicida pelo menos uma vez na vida. O fenômeno da autolesão, durante muito tempo, foi associado a personalidade emocionalmente instável. Porém, pesquisas recentes tendem a atualizar esses dados, associando a diversos fatores, entre eles, a depressão, o Transtorno Obsessivo Compulsivo, a ansiedade e outros”, disse.

O psiquiatra aponta que eventos adversos ocorridos, sobretudo, na infância e na adolescência, tornam-se tóxicos e comprometem o desenvolvimento psíquico do indivíduo. “Abuso físico e sexual, maus-tratos, separação parental, ciclo familiar instável e precário, condições sociais desfavoráveis são situações dramáticas e extremamente tóxicas”, completa. 

Assista o vídeo sobre o tema: 

 

Educação

Professora de Português e Inglês na rede pública de ensino do Distrito Federal, a docente Renata Hermínio destaca que, infelizmente, não são raros os casos que envolvem automutilação e tentativas de suicídio. “Nessas situações, o aluno é encaminhado ao orientador educacional ou psicólogo e a direção entra em contato com a família e com os órgãos competentes”, afirma.

A educadora acrescenta que o aluno em profunda dor geralmente tem alguma mudança de comportamento, que nem sempre é percebida pelos pais ou é vista apenas como uma forma de o adolescente chamar a atenção. “Alguns se isolam, não conversam, escondem-se em casacos com capuz – possivelmente para esconderem cortes nos braços e pescoço. Outros verbalizam a dor que sentem, compartilhando com os colegas a vontade de acabar com a própria vida.”

“Ao longo de anos lecionando, percebo que uma das razões da automutilação e/ou tentativa de suicídio é a distância entre pais e filhos, não me refiro à distância física, mas emocional. Esta semana me deparei com o caso de um aluno que confidenciou a uma colega o desejo de se matar porque sua mãe nunca disse que o amava. É preciso que as famílias participem ativamente da vida de seus filhos”, convida a professora.

A docente alerta que, apesar do dia a dia muito corrido, é “urgente que os pais administrem seu tempo sabiamente para não deixar que as crianças e adolescentes se sintam desprezados, desprotegidos”.

Sobre a campanha Acolha a Vida, ela enfatiza a importância das iniciativas governamentais. “Creio que contribuirá positivamente para a proteção de nossas crianças e adolescentes e na conscientização da comunidade escolar e sociedade para que tenham um olhar diferenciado para este público tão vulnerável”, conclui.

Artistas

Entre os parceiros da campanha, está a atriz, modelo e empresária Luiza Brunet. Convidada pelo ministério, a artista não recebeu cachê para integrar a ação. “Pouca gente de fato consegue perceber que por trás de uma rotina aparentemente normal pode haver um profundo sentimento”, observa.

 

Contatos da Assessoria de Comunicação do MMFDH:

Telefones: (61) 2027-3525 / 3538

E-mail: imprensa@mdh.gov.br

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