Notícias

Ministério lança vídeo em alerta à disseminação de conteúdo sobre suicídio e automutilação

publicado: 06/06/2019 17h20, última modificação: 06/06/2019 17h20

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) lançou nesta quinta-feira (06), mais um vídeo da campanha “Acolha a Vida”, iniciativa que visa prevenir suicídios e automutilação em todas as faixas etárias, especialmente crianças, adolescentes e jovens. Desta vez, o psiquiatra da Infância e da Adolescência do Hospital Universitário de Brasília (HUB), André Salles, faz um alerta a respeito da disseminação de conteúdo sobre suicídio e automutilação.

O psiquiatra explica que a quantidade de dados e informações que são recebidas e repassadas diariamente, por meio da internet, é enorme. “São tantos contatos, grupos, redes sociais que muitas coisas chegam até nós subitamente e não sabemos muito bem como lidar com elas”, relata.

Para ele, isso acontece quando a população recebe fotos, vídeos ou informações de pessoas que se machucaram ou que tiraram a própria vida. “Isso é sério, não é brincadeira! Essa informação vale tanto para os indivíduos quanto para os meios de comunicação”, completa. O especialista alerta para o perigo. “Nunca compartilhe, encaminhe, replique foto, vídeo ou texto que falam sobre pessoas nessa situação. Não publique julgamentos, causas, opiniões ou culpados. O tema é muito complexo para explicações simplistas ou sensacionalistas”.

Segundo Salles, o importante é ajudar. “Fale sobre como se prevenir, onde procurar ajuda, publique telefones e os serviços disponíveis na sua cidade. Mostre que existem alternativas”, finaliza.

Na âmbito da campanha, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou que é extremamente necessário proporcionar um espaço seguro às pessoas que pensam em suicídio ou estão se autolesando. “Elas precisam conversar sobre o assunto, sem julgamentos. Isso faz a diferença”, disse.

Damares observa, ainda, que é indispensável buscar ajuda de profissionais da saúde mental para uma avaliação. “Vamos acolher. Não maltratem nem critiquem. Abracem, procurem ajuda. Para vocês que não sabem o que fazer, nós temos o Disque 100 (Disque Direitos Humanos) aqui no ministério. Ligue para nós”, convida a ministra.

Campanha
Desde abril, quando lançou a campanha Acolha a Vida, o Governo Federal tem intensificado as ações relacionadas ao tema na expectativa de alertar famílias, profissionais da educação, da saúde e conselheiros tutelares sobre os sinais que podem indicar tendências à violência autoprovocada.

Com a sanção da Lei n. 13.819/2019, que passa por processo de estudo para a regulamentação, a Pasta planeja a implementar observatório estatístico que permita entender o fenômeno e saber onde ocorre com maior intensidade.

Números
Em uma visita a Suzano, em abril deste ano, a ministra enfatizou que cerca de 20% dos jovens brasileiros estão se mutilando, o que representa 14 milhões de pessoas. “Ninguém se corta porque quer aparecer, se corta porque está em profundo sofrimento. Eles estão cortando o corpo para curar a alma. Não adianta fazer as maiores obras no Brasil se as nossas crianças e jovens estão se matando”, alertou.

No que diz respeito às expectativas, Damares destaca que a proposta consiste em reduzir os números já no primeiro ano. “Por que o MMFDH está no protagonismo? Porque é um clamor das famílias. É a família brasileira que está pedindo socorro. Pais estão pedindo socorro porque não sabem o que fazer. Esse ministério vem dando o pontapé inicial. Mas entendam que nós estamos falando de doença mental e o Ministério da Saúde é o principal protagonista de todo esse processo”, afirmou.

Grupo de Trabalho
O enfrentamento ao problema também é discutido no âmbito da Secretaria Nacional da Família (SNF). O Ministério instituiu o Grupo de Trabalho de Valorização da Vida e Prevenção da Violência Autoprovocada por Crianças, Adolescentes e Jovens, que deverá também ser responsável por articular a regulamentação da lei.

Segundo o coordenador-geral do GT, Marcel Edvar Simões, o grupo tem por objetivo somar esforços e trazer as famílias das vítimas para o centro da discussão. “O grupo visa também ser uma via de mão dupla, subsidiando ações tanto do Ministério da Saúde quanto de outros órgãos que trabalhem com o tema. Nas ações do Grupo, além das questões técnicas, serão avaliadas ainda outras experiências mundiais de prevenção ao suicídio e automutilação”, completa.

Assista o vídeo abaixo: 

 

Reportar erro