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Empresárias paulistas vão apoiar Abrace o Marajó

publicado: 24/09/2019 15h21, última modificação: 24/09/2019 15h41
Empresárias paulistas vão apoiar Abrace o Marajó

Foto: Willian Meira/MMFDH

 

Representantes do Conselho da Mulher Empreendedora da Associação Comercial de São Paulo, da Liga das Mulheres Eleitoras do Brasil e da Virada Feminina vão apoiar o projeto Abrace o Marajó, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). A decisão ocorreu nesta segunda-feira (23), durante encontro com empresárias, na sede da Hípica, em São Paulo, com a presença da ministra Damares Alves.

O programa Abrace o Marajó visa combater o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes e a violência contra a mulher no Arquipélago do Marajó por meio de campanhas de conscientização. Atualmente, também promove ações pelo desenvolvimento econômico da região paraense.

A expectativa do Ministério é que a adesão das empresárias leve a parcerias público-privadas para as áreas de turismo, serviços e comércio da região. Além de conhecerem o “Abrace”, elas assistiram uma palestra sobre as vantagens tributárias de se investir na região.

Para a ministra, as ações conjuntas vão impulsionar o projeto lançado em julho deste ano. A gestora busca parcerias com a sociedade civil para o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes.

“Temos no Marajó uma cultura rica e que precisa ser conhecida, não somente pelo restante do país, como por todo o mundo. E queremos que essa região se desenvolva, o povo tenha acesso a emprego, à informação, à presença do Estado. Dessa forma, podemos ampliar nossas ações para proteger mulheres, crianças e outros grupos vulneráveis”, enfatiza a ministra.

Damares destaca que o local foi escolhido numa proposta de choque social que deve servir como laboratório para a implementação de ações em outros lugares do país. Além dos habituais reforços na rede de proteção das crianças, como a equipagem de conselhos tutelares e ações de enfrentamento à exploração, a novidade está na intenção de desenvolver o potencial econômico local.

“Se a mulher permanece com o agressor porque depende dele financeiramente, vamos trazer oportunidade a elas no emprego ou no empreendedorismo. Se as crianças são trocadas por alimentos ou óleos diesel que movimentam os barcos, vamos atacar o crime, conscientizar, mas também trazer as empresas que promovam a renda dessas famílias”, explica.

Denúncia

Um dos principais desafios será o de conscientizar a população sobre os canais de denúncia. Nos últimos cinco anos, o Disque 100 (Disque Direitos Humanos) registrou 895 casos de abuso e exploração sexual na região e o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) recebeu 452 denúncias de agressão contra a mulher. Cerca de 80% delas afirmam que os crimes ocorreram dentro de casa.

Na avaliação do ministério, os números indicam uma subnotificação desse tipo de ilegalidade, o que indica a necessidade de maior divulgação dos canais. “Nesse sentido, vamos envolver toda a comunidade para conhecer e reconhecer que somente por meio da denúncia, que poderá ser anônima, é possível detectar o problema e criar a política pública em cima desses dados. Faremos amplas campanhas na região”, afirma a secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Petrucia Andrade.

Agenda em São Paulo

A ministra Damares cumpriu agenda em São Paulo/SP nesta segunda-feira (23). Entre os compromissos, ela esteve reunida com membros da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedo (Abrinq) e da Fundação ligada à entidade. O projeto Abrace o Marajó foi apresentado durante o encontro. A ideia é alinhar ações conjuntas na defesa de direitos e na promoção de ações preventivas.

“O arquipélago do Marajó pode, realmente, ser um exemplo a ser replicado no restante do país. E a cooperação com a sociedade civil é fundamental. Vamos tentar ampliar esse leque para levar ações sociais a outras partes do país”, afirmou Damares Alves.

A titular do MMFDH aproveitou a ocasião para conhecer os mais de 12 projetos administrados pelas entidades. Para ela, somente com o apoio da sociedade civil será possível reverter os atuais quadros de violações de direitos.

“Trabalhamos em pautas realmente muito parecidas no que diz respeito à proteção de nossas crianças. Nossa entidade pode contribuir com o que temos de boas experiências. Já atendemos mais de 8 milhões de crianças e uma eventual parceria com o governo federal poderá beneficiar muitas outras”, afirmou o presidente da Fundação Abrinq, Synésio Batista da Costa.

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