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Ministério vai articular com organizações religiosas para acelerar interiorização de venezuelanos

publicado: 20/09/2019 08h34, última modificação: 20/09/2019 08h39
Damares Alves e Antonio Denarium acompanham triagem de venezuelanos.

Damares Alves e Antonio Denarium acompanham triagem de venezuelanos.

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, anunciou nesta quinta-feira (19), em Pacaraima/RR, na divisa com a Venezuela, que vai articular o apoio de instituições religiosas na interiorização dos refugiados. Ela visitou as instalações da Operação Acolhida e abrigos destinados aos imigrantes na região, que há dois anos vive calamidade humanitária com o aumento do fluxo de pessoas que fogem da crise econômica no pais vizinho.

A agenda foi acompanhada pela secretária Nacional de Promoção de Políticas de Igualdade Racial, Sandra Terena, pelo governador de Roraima, Antônio Denarium, e por integrantes das Forças Armadas, que coordenam os trabalhos no local. Integrantes da Operação explicaram como funciona o processo de triagem, checagem de documentação e encaminhamentos, seja para abrigos ou para o atendimento médico.

A ministra conversou com membros de organizações nacionais e internacionais que atuam na área e aprovou o atendimento humanizado. Ouviu, também, alguns dos refugiados que haviam acabado de cruzar a fronteira, todos elogiosos à acolhida dos brasileiros.

“É um trabalho maravilhoso. Mas Roraima sozinha não vai conseguir absorver tantas demandas sociais que se iniciam com tamanho fluxo de pessoas para cá. Nem o governo federal. Por isso, convoquei as instituições religiosas do país. Para que recebam, acolham e encontrem trabalho para essas pessoas em outros estados. Precisamos desse apoio da sociedade civil e é nisso que estamos trabalhando”, afirmou. 

Damares Alves explicou que havia um entrave jurídico a essa medida, pois as organizações religiosas tinham receio de tornarem-se eternas tutoras dos refugiados, situação que foi resolvida a partir de um acordo entre a Operação Acolhida e membros da sociedade civil.

Ao todo, cerca de 10 mil venezuelanos foram transferidos para outros estados. Mas a intenção é acelerar o processo, pois cerca de 600 novos refugiados, em média, cruzam as fronteiras todos os dias.

Visita a abrigos

Após a visita institucional, a ministra fez um corpo-a-corpo com mulheres e crianças abrigadas nas instalações militares. Depois, seguiu para abrigo para órfãos venezuelanos mantido pelo pela Associação Internacional Canarinhos Embaixadores da Paz. O Ministério vai estudar medidas de apoio às instituições que cuidam das crianças e adolescentes e que outras ações podem ser tomadas para melhorar a situação daqueles que estão sem qualquer contato com os parentes venezuelanos.

O comboio seguiu para um abrigo mantido para indígenas venezuelanos.  À tarde, a ministra e o governador atenderam lideranças indígenas da comunidade de Sorocaima, na estrada para Boa Vista.

Operação

A Operação Acolhida reúne o conjunto de ações promovidas pelo Governo Federal, agências da Organização das Nações Unidas (ONU) e organizações da sociedade civil no atendimento emergencial dos imigrantes venezuelanos em situação de vulnerabilidade que ingressam no Brasil pelo estado de Roraima.

Por dia, a ação realizada numa parceria entre entidades governamentais e da sociedade civil, nacionais e internacionais, realiza, em média, quase 300 atendimentos médicos. Desde outubro do ano passado, 306 mil foram vacinados. Cerca de 6,8 mil são atendidos em abrigos em Pacaraima e na capital.

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